Chile | Parte 2 - Um passeio entre gigantes

No dia 19 acordamos ainda mais cedo que no dia anterior. O motivo era lindo, azul e de tirar o fôlego: um passeio até Embalse el Yeso, um lago represado que fica na região de Cajon Del Maipo. O dia amanheceu com uma garoa fina e o tempo fechado. Achei que esse passeio ia perder parte do encanto por conta do tempo e cheguei até a pensar que seria cancelado, mas o guia nos disse que a previsão era de sol por lá no horário que chegaríamos.

Levamos cerca de 1h até San Jose De Maipo, um pequeno vilarejo onde paramos para comprar água e alguns petiscos antes de seguir viagem. Ainda tinhamos 1h30 de estrada até o lago, mas mal deu para sentir o tempo passar conforme a paisagem foi mudando ao adentrarmos as cordilheiras e o sol começando a aparecer.

Se ver as cordilheiras de longe já dava para ter uma noção da grandiosidade delas, passar entre suas formações só nos faz perceber quão pequenos somos. É lindo demais ver tudo aquilo de perto.
Fazer esse passeio com uma agência turística tem suas comodidades e, para uma primeira visita, foi ótimo termos ido dessa forma já que a estrada até Embalse é bem estreita e tortuosa. Mas dá para alugar um carro e ir por conta própria, o que também deve ser uma experiência incrível (menos em época de inverno pois a estrada fica com neve e o caminho fica perigoso para quem não tem costume de dirigir em tais condições). A paisagem é linda e é impossível não querer tirar fotos a cada curva na estrada.

Ao chegar finalmente no lago confesso que fiquei surpresa com a quantidade de vans turísticas e carros no local, o que gerou um pequeno trânsito e dificultou um pouco para encontrarmos um local para estacionar. Pelo que eu tinha lido antes de viajar, Embalse El Yeso ainda não era um ponto turístico tão visado. Mas acredito que, com todas as vinícolas fechadas pelo feriado e algumas estações de esqui também já sem funcionar com o final do inverno, os turistas acabaram aproveitando para visitar o lago.

Dali de onde estávamos a paisagem já era linda, mas o guia nos orientou a fazer uma pequena caminhada pela estrada e seguir em frente após uma curva para poder ver o lago inteiro e as Cordilheiras nevadas ao fundo. Que cenário de tirar o fôlego! Pra todo lado que se olha você vê a beleza da natureza, num canto montanhas com suas plantas rasteiras e pedras de todos os tamanhos, olhando pra frente aquelas montanhas lindas com neve derretendo que a gente acha que nessa vida só vai ver em fotos, na outra ponta as montanhas já sem neve alguma, em tons de marrom escuro. E pra completar, o lago de uma água tão azul que parece de mentira. É um daqueles lugares que dá vontade de sentar no chão e ficar contemplando, pensando na vida e recarregando as energias. Nenhuma foto ou explicação é capaz de descrever o que é ver tudo aquilo de perto. Se tiver oportunidade, vá e veja pessoalmente.

O fato de ter muitos turistas por lá nesse dia teve um ponto positivo. Duas chilenas tiveram a ideia de montar um caminhão com banheiros químicos para atender o público (honestamente não acho que aquele caminhão esteja ali sempre, mas confesso que não perguntei). Preciso dizer que sempre tive nojo de banheiros químicos e achei que nunca entraria em um na
vida. Mas, estando num lugar distante de qualquer estabelecimento e com a bexiga reclamando para ser esvaziada o quanto antes, não tive outra opção a não ser utilizar as benditas casinhas em cima daquele caminhão. As chilenas cobravam 500 pesos por pessoa e sempre que alguém saia do banheiro uma delas ia lá e limpava o local passando um produto de limpeza e um pano em tudo antes da próxima pessoa entrar. E não é que era limpinho? Nem cheiro de xixi tinha! Fiquei surpresa com isso. E sim, esses pequenos detalhes fazem toda a diferença! hahaha

Voltamos para Santiago já perto de 15h e então ainda tínhamos boa parte da tarde para passear. No dia em que descobri que seria feriado no Chile no período em que estaríamos na cidade, dei uma pesquisada sobre as festas típicas que acontecem por lá nessa época do ano, as Fondas. Então achamos que seria uma boa ideia visitar uma para conhecer e ver um pouquinho mais de perto a cultura local. Optamos por conhecer a mais popular delas em Santiago, a Fonda do Parque O’Higgins. Fomos de metrô até lá (inclusive, é super tranquilo andar de metrô em Santiago e todos os funcionários e moradores pra quem pedimos orientações sobre que direção seguir, foram extremamente solícitos e atenciosos conosco) e chegando encontramos o lugar lotado de gente. Durante as festas pátrias muitas famílias chilenas optam por viajar para cidades vizinhas, mas algumas que ficam na cidade acabam indo aproveitar as fondas que, fazendo uma comparação com festas que temos no Brasil, se parece muito com nossas festas juninas. Elas acontecem normalmente em áreas abertas, tem parques de diversão itinerantes, muitas barraquinhas de comidas e bebidas típicas, tendas de jogos e apresentações de danças, inclusive as Cuecas, dança típica chilena que nada tem a ver com a peça de roupa que conhecemos.

Acabamos ficando pouco tempo por lá e logo fomos embora.

Já na rua que nos levaria até o hotel, ouvimos o som de uma música e vimos pessoas caminhando em direção a rua paralela a que estávamos. E então nos lembramos que o guia do citytour tinha nos falado no dia anterior que a parada militar passaria por ali no dia 19 a tarde. Demos sorte, chegamos bem no horário que a parada estava começando. A rua estava cheia, com chilenos assistindo ao desfile até das sacadas dos prédios. Os chilenos são bastante patriotas e aplaudiam a cada novo grupo que passava marchando e tocando os instrumentos, foi bem bacana de ver.

Ufa, e não é que o 2º dia rendeu? O último dia também foi cheio, mas eu conto no próximo post!
E se não viu a primeira parte dessa viagem, dá um pulinho lá no primeiro post. =)

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